ALBERGUE DAS IDÉIAS
O albergue é um lugar de simplicidade e ecletismo. Portanto, independente de raça, religião, ideologia ou classe social, todos são bem-vindos: mendigo, pobre, rico, sábio, louco, vassalo, artista, prostituta, religioso... não importa o nome que tenha. Albergue é como coração materno: guarida para o filho, que às vezes é como o pródigo que se foi, a quem desprezamos; outras vezes é como o filho que ficou, a quem abraçamos, a despeito de sua hipocrisia e covardia. Somos um albergue. Muitos em nós residem. Um mundo de pessoas; um mundo de IDÉIAS. É verdade que não lidamos bem com essa multiplicidade de "EUs". Fazemos uma seleção natural daquilo que nos parece moralmente válido e que não passou pelo crivo de nossa censura legalista judaico-cristã. Alguns por desconhecerem esta enormidade de variação interior, reconhecem a si mesmos apenas como uma única possibilidade de ser. Alguns são palácios onde só entram pessoas da realeza; outros são motéis onde o mundo do sexo é uma constante; outros são universidades onde todos gravitam embevecidos em torno do saber; outros são templos onde se pensa que a busca de coisas etéreas encerram o sentido maior de Igreja; outros são bancos onde o dinheiro é o seu quinhão. Porém, existe aquele que é ALBERGUE: o mundo dentro de si mesmo, numa verdadeira fusão cósmica, repleto de devaneios, paradoxos, mistura e samba. Onde não se discrimina, mas a todos recebe, para que sejam filhos cuidados e tratados, apesar de suas peraltices. Aquele que não se reconhecer como um albergue abortará o que não desejar. Em contrapartida, o que perceber a si mesmo como tal, educará o que lhe é mau com cuidado e tolerância, a fim de que todas as coisas cresçam juntas e se tornem algo que sirva para edificação da vida. Que venham as idéias, e que elas sejam bem-vindas ao "albergue doce albergue".
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